segunda-feira, 7 de abril de 2014

Amor incondicional

“Os pais podem não gostar dos filhos, mas vão sempre amá-los.” Aprendi isto há pouco tempo. Ouvi numa conversa alheia à minha pessoa. Primeiro não gostei da frase, mas depois compreendi e aceitei. Sim, apesar da educação ser da responsabilidade dos pais, por vezes o ser humano segue caminhos que não se coadunam com o exemplo familiar. Por vezes os filhos tomam decisões que magoam os pais, como era o caso da conversa que ouvi: uma filha que seguiu o trilho do crime. Mas continua a ser A filha, e continua a ser amada por seus pais.
O amor dos pais, quando existe (porque nem todos os pais são pais…) é incondicional. Haja o que houver, vão amar aqueles que educaram, que criaram, e que foram o objectivo principal das suas vidas.

Não há relações perfeitas. Não há famílias perfeitas. Não há pais e filhos perfeitos. Não há amor perfeito.

Mas há amor? Então tudo está perfeito.

domingo, 6 de abril de 2014

No País de Abris


Abril, mês de um dia para os mais velhos. Recordam e festejam o 25º dia. Cravos e mais cravos na lapela. Falam de tanques. Canonizam os exilados e presos políticos. Todos sabem o que fizeram nesse dia: saíram à rua! Mas poucos fizeram esse dia. E até desses, alguns já apareceram a confessar arrependimento por mudarem o rumo da história, entregando o País de Abril aos que agora o conduziram à falência.
Mas, e o que pensam os mais novos? Aqueles que nasceram vinte e trinta anos depois, gostam do feriado mas não "curtem" a conversa de "nurd" do avô... "cravos e tanques, o velho não fala de outra coisa"...
Mas estão assim tão errados por este dia nada lhes dizer? Vejamos, quantos Portugueses sabem porque se celebra o dia 1 de Dezembro? Dia da Restauração! E restauração do quê?  Da restauração da nossa soberania! Da Independência dos Filipes em 1640! Dia da liberdade! Desde 1910 que era Feriado Nacional. Era o feriado civil mais antigo... Mas já não é porque para os que nasceram após 1640, num país livre, já não faz sentido falar de tal. Não viveram, não sentiram...
Este é um país de muitos Abris... até ao dia em que ninguém tenha vivido o tal Abril da liberdade... até dar jeito a um governo qualquer dizer que se poupa dinheiro se não o festejarmos.
Que pena não sabermos transmitir tão grandiosos valores aos mais novos. Que pena ser conversa de nurd!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Sândalo e Jasmim

Adoro sândalo e jasmim. São os meus ésteres favoritos. Fragrâncias doces e campestres. Associo-os a requinte natural. Para mim são perfumes. E uso-os desse modo.
Ontem fui a casa de um casal muito meu amigo. E serviram-me uma tisana de jasmim. De início não me apercebi que o belo cheiro a jasmim que senti ao entrar na casa deles era para ser bebido. Pensei ser um qualquer difusor de perfume ambiente. Mas quando me colocaram o chá na chávena fiquei horrorizada. Eu a beber o meu perfume? Tentei. Beberiquei. Corei. Franzi as ventas e comecei com vontade de vomitar. Ficaram surpresos com a minha reacção: “mas estás sempre a dizer que adoras jasmim…” – “sim, adoro. Mas em perfume. Desculpem, não consigo beber”.  Os meus amigos já estão habituados às minhas esquisitices, alergias e fobias… sou sempre eu a dar barraca nos restaurantes com a lista de alimentos que não posso ou não consigo comer. Acabei por beber chá verde. E soube-me mesmo bem. Mas adorei o perfume de jasmim que se sentia no ar.
Quando nos despedimos, disse-lhes: “também adoro sândalo, mas por favor nunca mo sirvam assado com carne ou peixe, tá?”. Gargalhada geral.

Ontem descobri que há coisas maravilhosas para o nariz que não me servem para a boca. Que pena. Adoro jasmim.
Hoje, ao preparar-me para sair de casa descobri uma partidinha - um pacote de chá de jasmim na mala com um recadinho: "chá de jasmim para te lembrares de nós". Como é bom começar o dia assim. Sai de casa a rir. Feliz com a minha patetice. Obrigada, meus queridos. Nunca me esquecerei de vocês. E vou guardar este pacote de jasmim na minha arca de memórias. Jasmins da minha vida!

sexta-feira, 14 de março de 2014

O voo

Uma gaivota levantou voo. Mesmo rasante à minha cabeça. Os primeiros bater-de-asas foram desengonçados. Desequilíbrio aerodinâmico. Fiquei a olha-la. Desejei segui-la. Era tão giro se de repente eu começasse a voar. Ui, ninguém me parava. Percorria o mundo todo. Visitava todos os povos. Que voo maravilhoso… liberdade… liberdade…
Mas depois pensei: e os predadores? Não, é melhor continuar sem asas. No fundo é o que sempre fizemos, trocámos a liberdade pela segurança. Temos pernas, podemos correr por este mundo fora e não o fazemos…  até porque maior medo que o do perigo é o da solidão. Voar podia ser bom, mas só e sem destino seria muito triste.

A gaivota afastou-se, seguiu o grupo. Lá no alto pareciam observar-nos. Continuei o meu caminho, olhei por cima do ombro, sentindo-me seguida  - como se o bando me acompanhasse. Depois vi-as partir em direcção oposta. Adeus gaivota, voa por mim, voa!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Crianças

Adoro crianças. Amo aqueles olhinhos sedentos de descobertas. As birras, as manhas, as gargalhadas e o som de “mã”. As cianças são a esperança da humanidade. Um adulto já está formado, nada será recuperado. Mas uma criança é massa pura por moldar. Uma criança tem potencialidades ilimitadas. Adoro crianças.

Nunca percebi o que leva um adulto a maltratar uma criança. Pena capital. Pecado mortal. Não tenho perdão para quem maltrata crianças.
O Valentim é filho de pais separados. A mãe vive o maior pesadelo da sua vida: tem de aceitar que o filho vá todos os fins de semana com o pai que não o quer – mas é a ordem do tribunal. O menino, de 2 anos, chega todos os domingos dominado pelo desespero, agarra-se a ela e treme de medo e de cansaço. No último fim-de-semana o Valentim chegou com marcas. A mãe pegou no menino e levou-o ao hospital. Foi registada queixa. Agora o tribunal proibiu o pai de ver o menino – pai este que nem perguntou se o Valentim estava bem…

Porque razão os tribunais obrigam as crianças a sofrer? Custódia partilhada??? Que raio! Dizem que os pais têm de se entender. Mas que parolice. Se os pais se entendessem não se estavam a divorciar no litigioso!!! E porque razão só se actua quando o mal está feito? A justiça tem de ser cega e não estúpida. Há mães e mães, há pais e pais. Uns não podem pagar pelos outros. A educação de um filho não é algo que se trata de modo generalista, mas deve ser diferenciada, ou seja adaptada a cada realidade. E se os Srs. Juízes levantassem-se das cadeironas e fizessem visitas surpresas às mães e aos pais… que tal observar in locuo em vez de ditarem apenas frases feitas. Aplicar leis não tem de ser de modo destruidor.
As crianças precisam de modelos femininos e masculinos nas suas vidas. Precisam de mãe e pai. Não precisam de monstros aos quais se dá o titulo de pai ou mãe, só porque tiveram relações sexuais. As crianças precisam de amor e não de dor.


Valentim, meu lindo amor, se soubesses o quanto compreendo as tuas lágrimas… O meu coração reza por ti. Tem esperança, um dia o sol irá brilhar sem nuvens… acredita… acredita!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Flores de Inverno

Desde o mês passado que as ameixoeiras estão em flor. A rua onde moro está linda. De manhã, ao sair para o trabalho, sinto-me tão bem ao olhar para tão delicadas flores. Que poema vivo tão belo.

Gosto do frio e da chuva. Mas adoro o sol e as flores. Como é bom correr em campos floridos. Subir às árvores e contemplar tão maravilhoso cenário… e as memórias que se despertam… alegria pura!


Pela manhã, ao olhar tão delicadas flores, dou por mim a viajar mundo fora. O corpo desloca-se de forma rotineira, mas a alma voa para tão longe. Chego ao trabalho com um sorriso nos olhos. Até pareço outra…

segunda-feira, 3 de março de 2014

Ser diferente

Tenho um defeito numa vértebra. Provoca-me inflamações ciáticas constantes. Nasci assim. Cresci a aprender a adaptar-me às dores. Nem sempre é fácil. Nunca me conformei e por isso esforço-me para levar uma vida sem diferenças.

Sou doadora de sangue. Faço aos outros o que gosto que me façam a mim. Ajudo porque seria impensável ser de outro modo. No outro dia, no trabalho houve uma campanha para inscrição de doadores de medula óssea. Aproveitei e ofereci-me logo. Ao entregar os documentos a médica perguntou-me se tinha algum problema na coluna. Respondi que sim e expliquei-lhe tudo - “Ó que pena, não pode ser doadora de medula. Nem pensar em qualquer tipo de intervenção que possa agravar o seu estado.” Fiquei triste. Sou diferente. Sou anómala… É a vida! Podia ser pior. Apesar de tudo consigo ser independente. 
Sou diferente, mas  feliz. O que é bom, muito bom.